As vantagens de fazer psicoterapia online

O paciente amadurece ao perceber sua capacidade de aprendizagem sobre si mesmo, vencendo as limitações que antes lhe causavam terror.
Fazer psicoterapia online

O paciente amadurece ao perceber sua capacidade de aprendizagem sobre si mesmo, vencendo as limitações que antes lhe causavam terror.

Estevan de Negreiros Ketzer

Psicólogo Clínico (PUCRS). Dezesseis anos de experiência clínica com os mais diversos pacientes.

            A prática da psicoterapia online é hoje uma das mais importantes para dar acessibilidade e flexibilidade para a maioria das pessoas. Um atendimento seguro com um profissional qualificado pode melhorar em muito a sua história de vida. Para tanto, são importantes algumas referências pregressas que esse profissional tenha para poder ajudar você a ter uma vida melhor.

            O profissional deve ser empático. Ele deve ser muito conectado com o que você diz, pois ele acredita sinceramente em cada momento de sua vida e como você agiu. Essa empatia deve despertar algo muito forte durante a primeira consulta de psicoterapia online. A entrevista inicial diz muito de como o psicoterapeuta deve receber o seu paciente, observá-lo e escutá-lo, pois os dois sentidos ajudam muito a delinear uma perspectiva de como o paciente se apresenta. Isso deve ser trazido para a conversa: “Notei que você possui uma tendência a se fechar quando falamos de sua família. Será esse um assunto difícil?” Segundo Macknnon e colaboradores, essa perspectiva já comunica muito de como o paciente se sente ao transcorrer a psicoterapia online:

O entrevistador experiente aprende muito sobre o paciente durante a saudação inicial que poderá variar os minutos introdutórios da entrevista de acordo com as necessidades do paciente. Normalmente, o iniciante desenvolve uma forma de rotina para começar a entrevista e tentará variações depois em seu treinamento (MACKINNON, MICHELS, BUCKLEY, 2008, p. 72).

Aqui já vislumbramos formas de conexão com a psicoterapia online. Isso prova que essa conexão é uma base segura para restabelecer a sua saúde. Segundo o psiquiatra inglês John Bowlby (2024, p. XV): “a proximidade emocional e física proporcionada pelo apego também capacita as crianças a compreenderem a si mesmas e aos outros. O apego seguro nos permite ler pessoas”. Portanto, o psicoterapeuta deve proporcionar esse ambiente seguro ao realizar a psicoterapia online (KETZER, 2019). Deve ser seguro o suficiente para o paciente gerar uma confiança em suas capacidades para, assim, ler a realidade com tranquilidade.

            O profissional deve ser ético. Toda a forma de psicoterapia online é, antes de tudo, uma relação na qual o sigilo é imprescindível. Ser sigiloso significa ter uma atitude de proteção e mensurar as consequências futuras de algumas das informações que são transmitidas. O psicólogo não pode fazer uso dessas informações como “dados” que são colhidos e distribuídos para outras pessoas. Inclusive ser ético é ter uma clareza na sua própria forma de avaliar e de como transmitir esse resultado da avaliação ao paciente durante a execução da psicoterapia online.

1 – Requisitos para a psicoterapia online por parte do terapeuta

            O profissional deve ser adequado quanto ao problema trazido pelo paciente. Todo o profissional deve observar com atenção o que o paciente fala durante a psicoterapia online para ser assertivo. A assertividade é de grande importância para o paciente se sentir cuidado (YOUNG, KLOSKO, WEISHAAR, 2008). Todas as formas de cuidado com o paciente são de extrema importância. Ele pode ser cuidado de muitas formas, inclusive com as próprias perguntas do psicoterapeuta, por exemplo: “Será que nesse momento não faltou alguém para te ajudar? Por que será que na sua vida essa situação de quedas se repete tanto?” Isso ajuda o paciente a se conectar, pois ele pensa em situações que podem ter sido difíceis de resolver. Quando o psicoterapeuta traz isso para o contexto da psicoterapia online o paciente se sente ativamente no processo. Segundo o psicólogo Carl Rogers:

Muitos desses aspectos revelam-se em extrema contradição com o conceito de eu e não poderiam normalmente ser experimentados plenamente, mas, nessa relação de confiança, o cliente pode permitir que se manifestem na consciência sem sofrerem uma deformação (ROGERS, 2009, p. 89)

            Portanto, esse vínculo que ocorre na psicoterapia online é de extrema relevância para nós. A vinculação ajuda a desenvolver uma rede de amparo, na qual o paciente se sente relaxado para ser ele mesmo. “Não sou um monstro por sentir culpa da minha trajetória, há outras pessoas que podem sentir isso também.” Esse se torna um motivo importante para o terapeuta compartilhar de sua experiência de vida, pois ajuda com vontade a criar um ambiente interno saudável ao paciente durante as sessões de psicoterapia online.

Benefícios da psicoterapia online

           2 – O que o paciente encontra com uma boa psicoterapia online

 Um bom vínculo terapêutico também é a realização de que o paciente pode confidencializar suas dúvidas verdadeiras. O neuropsiquiatra francês Boris Cyrunnik nos relata o quanto a importância do pertencimento está fortemente relacionada a vínculos afetivos consistentes: “A criança deseja pertencer aqueles que a criam, mesmo que no fundo dela mesma, o segredo das origens desempenhe um papel psicológico… secreto” (CYRULNIK, 2007, p. 78). Quando um paciente silencia pode ser algo de profunda responsabilidade ajuda-lo a pensar, após alguns segundos. “O que você está pensando?” É o tipo de silêncio que fala muito e por isso a nossa conexão tem de acompanhar o paciente em sua psicoterapia online.

            Por essa razão, uma boa psicoterapia online pode ser uma forma da pessoa se sentir pertencendo a sua família ou a sua sociedade. Ela não tem mais de lidar sozinha com tudo o tempo todo. Ela sente o quanto o interesse ajuda a estabelecer um contato mais verdadeiro consigo mesmo. Há na figura do psicoterapeuta um interesse que talvez mais ninguém tenha tido com o paciente. Isso pode ser o grande desencadeador de transformações durante a psicoterapia online.

            É por estarmos muito atentos ao quanto os pacientes pensam e sentem que a psicoterapia online precisa de ajudar o verdadeiro eu do paciente se sentir estimulado (GABBARD, 2006). Esse esforço pode trazer uma carga de sentimentos à tona, por isso o terapeuta também deve ser muito paciente em cada gesto do paciente. Essa preocupação com os gestos se faz preemente para dar apoio em momentos difíceis. Um gesto pode ser captado com muita fidedignidade durante a psicoterapia online. E isso é capaz de melhorar em muito a fidelidade da relação pelo que ela possui de genuíno entre os dois dentro do contexto da psicoterapia online.

            Por fim, o amadurecimento é algo que se pretende estabelecer no ambiente da psicoterapia online. O paciente amadurece ao perceber sua capacidade de aprendizagem sobre si mesmo, vencendo as limitações que antes lhe causavam terror. O psicoterapeuta também amadurece, pois conhece os caminhos de seu paciente ao utilizar-se de si mesmo como parte da matéria para esse aprendizado. Um caminho que leva ao desenvolvimento emocional como parte essencial para uma construção existencial autêntica. Isso permite a tomada de decisões melhores com a possibilidade de sentir prazer com sua própria vida no percurso da psicoterapia online.

Referências:

BOWLBY, John. Uma base segura: aplicações clínicas da Teoria do Apego. Tradução de Marcos Vinícius Martins da Silva. Porto Alegre: Artmed, 2024.

COZOLINO, Louis. The Neuroscience of the Human Relationship: attachment and the developing social brain. New York: W.W. Norton & Company, 2006.

CYRULNIK, Boris. Alimentos Afetivos: o amor que nos cura. Tradução de Cláudia Berliner. São Paulo: Martins Fontes, 2007.

GABBARD, Glen O. Psicoterapia psicodinâmica de longo prazo. Porto Alegre: Artmed, 2005.

KETZER, Estevan de Negreiros. Algumas contribuições da neuropsicanálise em casos de traumas psíquicos. Diaphora – Revista da Sociedade de Psicologia do Rio Grande do Sul, v. 8, n. 1, 2019. https://www.sprgs.org.br:443/diaphora/ojs/index.php/diaphora/article/view/166

MACKINNON, Roger A.; MICHELS, Robert; BUCKLEY, Peter J. A entrevista psiquiátrica na prática clínica. Tradução de Celeste Inthy. Porto Alegre: Artmed, 2008.

ROGERS, Carl. Tornar-se Pessoa. Tradução de Manuel José do Carmo Ferreira e Alvamar Lamparelli. São Paulo: Martins Fontes, 2009.

YOUNG, Jeffrey; KLOSKO, Janet; WEISHAAR, Marjorie E. (orgs.). Terapia do esquema: guia de técnicas cognitivo-comportamentais inovadoras. Porto Alegre: Artmed, 2008.